Força de vontade não é método: por que vendas precisam de processo para crescer

Em 2005 eu entrei como vendedor na Humanitarian Calçados.

Lá eu tive um grande apoio de duas pessoas, que foram fundamentais para eu pegar gosto pela coisa:
• O Maicon, que me mostrou a importância de estudar cada nova tecnologia de tênis. Eu conhecia tanto do produto que dificilmente perdia uma venda.
• O Gimenez, com quem aprendi sobre integração das áreas: vendas + logística + pesquisa de mercado – mesmo em uma loja de sapato, que a gente tende a pensar que é sempre tudo na unha.

Essas experiências me marcaram porque vi que vender não é só ter dom ou jeito. É método, preparo e empenho. E é sobre isso que quero falar aqui.

Este é o terceiro artigo da série em que compartilho as dores mais comuns das pequenas e médias indústrias.
No primeiro, falei sobre ociosidade na produção.
No segundo, sobre a dependência de poucos clientes.
Agora, o tema é outro: quando as vendas são guiadas mais pelo feeling ou força de vontade do que por processos.

Olha, feeling tem valor.
Mas a real é que, quando ele vira a única bússola, a empresa fica sem rumo.

Cada vendedor segue seu próprio jeito.
O gestor não sabe o que esperar do mês seguinte.
E o marketing não consegue apoiar porque não há estratégia clara.

Aí a indústria passa a reagir em vez de planejar.
O que eu já vivi isso na pele, não tá escrito!

E isso ocorre porque:
    • não existe processo comercial desenhado;
    • marketing não gera inteligência nem apoia o time;
    • a cultura de análise é fraca e os indicadores ficam de lado.

O resultado? A empresa depende de heróis.
Se o herói sai de férias, o faturamento cai.

Mas não vai achando que construir um processo comercial é pastel.

Implantar processo não é só comprar CRM e achar que resolveu.
CRM sem disciplina é só mais um software caro na prateleira.
O que eu mais defendo é rotina.

Reuniões de forecast curtas, mas feitas.
Marketing rodando geração de demanda com base em dados.
Capacitação constante da força de vendas.
Materiais técnicos que ajudem o vendedor na conversa.

Vai por mim: método não engessa.
Ele dá previsibilidade.

Se eu estivesse na gestão de uma empresa que tem problemas como estes, começaria assim:
     1. Mapeamento do ciclo real de vendas da empresa.
     2. Definição das etapas claras no funil, sem espaço para achismo.
     3. Escolha de um CRM simples, mas aderente ao time e à realidade do fluxograma.
     4. Posicionamento de marketing e vendas como aliados.
Não é extraordinário. Mas é o que transforma improviso em planejamento.

Quer ver isso em um exemplo real?

Indústria de Componentes Mecânicos (Grande SP)

Desafio:
A empresa tinha um problema clássico: vendas dependiam de dois vendedores veteranos. Eles batiam meta, mas cada um do seu jeito, meio que sem registro. Quando a diretoria perguntava sobre o mês seguinte: “fica tranquilo, vai dar certo”. Só que nem sempre dava.

Ação:
Não fizemos nada de extraordinário. O que fizemos foi organizar o básico: implantamos um CRM simples e parcialmente preenchido por IA (garantindo que os vendedores não “perderiam” muito tempo com isso), desenhamos um funil de vendas com etapas claras e criamos uma rotina quinzenal de forecast. Além disso, marketing passou a apoiar de verdade: materiais técnicos, dados de mercado, orientação para prospecção e leads alinhados ao perfil certo.

Resultado:
Em 12 meses, a taxa de conversão subiu 28% e a diretoria ganhou visibilidade de 60 dias no pipeline. Isso mudou a forma de planejar a produção e o caixa, porque finalmente havia previsibilidade.

A intuição é importante, mas ela não sustenta crescimento sozinha.
Se a sua indústria ainda depende do jeito de cada vendedor, não fica nessa, não.
Crescimento precisa de método.
Feeling e faca nos dentes ajudam a vender hoje. Mas é processo que garante o amanhã.

Para ler o quarto artigo da série, que trata sobre a “Proposta de valor na indústria: como sair da guerra de preços e proteger a margem“, clique aqui.

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